Dívidas! O desespero de muitos — O que fazer?!

Dívidas fazem parte da vida de muitas pessoas

Dívidas. Uma palavra presente na vida de muitas famílias brasileiras. Para algumas pessoas, elas representam apenas parcelas que precisam ser pagas. Para outras, porém, chegam a um ponto em que o salário já não é suficiente para pagar as contas básicas e cumprir todos os compromissos financeiros.

Eu conheço essa realidade porque também contraí dívidas e, durante muito tempo, não soube o que fazer. Quando as contas começaram a se acumular, percebi que o problema não estava apenas nos números. O endividamento passou a ocupar meus pensamentos, interferir nas minhas decisões e tirar a tranquilidade dos meus dias.

Por isso, este não é apenas mais um texto sobre finanças. É também um relato de quem conhece a angústia de olhar para várias contas e não saber por onde começar.

Mas aprendi algo importante: dívidas precisam ser enfrentadas com informação, organização e decisões possíveis dentro da realidade de cada pessoa.

E, para quem tem fé, esse processo também pode ser acompanhado pela espiritualidade, pela esperança e pelo apoio das pessoas que fazem parte da nossa vida.

O peso emocional de estar endividado

Quando as dívidas aumentam, é comum surgir vergonha de falar sobre o assunto. Algumas pessoas deixam de atender telefonemas, evitam conversar sobre dinheiro e começam a se afastar até de familiares.

O endividamento também pode afetar o bem-estar emocional. A preocupação constante com vencimentos, cobranças, juros e falta de dinheiro para necessidades básicas pode gerar estresse, medo e sensação de impotência.

Foi justamente aí que percebi que esconder o problema não faria as contas desaparecerem.

Era necessário reconhecer a situação.

Reconhecer que existe uma dívida não significa fracasso. Significa identificar um problema concreto que precisa ser administrado.

E esse foi um dos primeiros passos que comecei a dar.

A importância da família nos momentos difíceis

Também percebi a importância de não carregar tudo sozinha.

Quando existe abertura para isso, conversar com pessoas de confiança pode ajudar. Nem sempre a ajuda precisa ser financeira.

Às vezes, o que precisamos naquele momento é de alguém que nos escute sem julgamento e nos ajude a enxergar possibilidades que, no meio do desespero, não conseguimos perceber.

Dentro da família, também é importante que as pessoas saibam quando o orçamento está apertado. Isso permite estabelecer prioridades e evitar despesas que naquele momento não cabem na renda familiar.

O problema financeiro continua existindo, mas deixa de ser um segredo carregado silenciosamente.

A fé como apoio para não entrar em desespero

No meu caso, a fé também teve um papel importante.

Quando tudo parecia pesado demais, buscar a Deus me trouxe esperança e força para continuar procurando uma saída.

A Bíblia diz:

“Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estarei no meio deles.”

Por isso, a oração, a igreja e a comunhão fazem parte da maneira como enfrento os momentos difíceis.

Mas compreendi também que ter fé não significa ignorar as contas.

Para mim, a fé trouxe serenidade para começar a agir. Foi necessário olhar para os números, reconhecer erros, estabelecer prioridades e entender que sair do superendividamento é um processo.

O primeiro passo: descobrir exatamente quanto você deve

Uma das piores situações é saber que existem muitas dívidas, mas não conhecer o tamanho real do problema.

Por isso, pegue papel, caderno, planilha ou até o bloco de notas do celular e registre cada dívida.

Anote:

  • nome do credor;
  • valor aproximado da dívida;
  • valor da parcela;
  • quantidade de parcelas restantes;
  • taxa de juros, quando conhecida;
  • parcelas atrasadas;
  • data de vencimento;
  • existência de proposta de negociação.

Depois, some tudo.

Pode ser assustador enxergar o valor total pela primeira vez, mas essa informação é necessária.

Sem saber quanto devemos, fica muito difícil elaborar uma estratégia.

Se você tem vários compromissos financeiros ao mesmo tempo, veja também Como organizar dívidas com vários credores

Antes das dívidas, proteja as despesas essenciais

Quando estamos endividados, podemos cometer o erro de tentar pagar todos os credores imediatamente e acabar sem dinheiro para necessidades básicas.

Por isso, o orçamento precisa começar pelo essencial.

Moradia, alimentação, água, energia, medicamentos, transporte necessário para trabalhar e outras despesas indispensáveis da família precisam ser consideradas antes de assumir uma negociação que não poderá ser cumprida.

Não adianta aceitar uma parcela aparentemente boa se, depois de pagá-la, faltar dinheiro para comprar comida.

Uma negociação precisa caber de verdade no orçamento.

Não aceite a primeira proposta apenas por medo

Quem está desesperado para resolver uma dívida pode aceitar uma negociação sem verificar o valor total que será pago.

Antes de fechar um acordo, procure saber:

Qual é o valor original da dívida? Quanto há de juros e encargos? Qual será o valor total depois da negociação? Quantas parcelas serão pagas? A nova parcela realmente cabe no orçamento?

Compare propostas quando isso for possível.

Uma parcela menor pode parecer vantajosa, mas um prazo muito longo também pode aumentar o custo total.

O objetivo não é simplesmente trocar uma dívida por outra. É encontrar uma condição que permita recuperar gradualmente o controle financeiro.

Cuidado para não criar uma nova dívida para pagar outra

Esse é um ponto especialmente importante.

Quando as cobranças aumentam, surge a tentação de pegar dinheiro emprestado para pagar outra dívida.

Em alguns casos, substituir uma dívida muito cara por outra com juros significativamente menores pode fazer sentido. Mas isso exige cálculo.

Sem planejamento, o resultado pode ser o contrário: o consumidor paga uma conta e passa a ter outra obrigação que também não consegue cumprir.

Por isso, antes de contratar novo crédito, verifique o custo total e o impacto da nova parcela sobre o orçamento.

Se parte do problema estiver no cartão, veja Crédito rotativo do cartão: como funciona e como sai

Quando a situação já virou superendividamento

Existe uma diferença entre ter dívidas e chegar a uma situação em que não é possível pagar todos os compromissos sem comprometer as necessidades básicas.

No Brasil, a legislação de proteção ao consumidor possui regras específicas relacionadas ao superendividamento.

A Lei nº 14.181/2021 alterou o Código de Defesa do Consumidor e estabeleceu mecanismos relacionados à prevenção e ao tratamento do superendividamento de consumidores.

Isso significa que a pessoa não precisa necessariamente enfrentar toda a situação sem orientação.

Dependendo do caso, é possível procurar órgãos de defesa do consumidor, como o Procon, e também buscar orientação jurídica na Defensoria Pública.

Conhecer os próprios direitos faz parte da recuperação financeira.

Não tente resolver anos de dívidas em poucos dias

Essa talvez tenha sido uma das lições mais importantes para mim.

Um problema construído ao longo de meses ou anos dificilmente será resolvido em uma semana.

Quando queremos solucionar tudo imediatamente, podemos aceitar acordos impossíveis, contrair novos empréstimos ou tomar decisões motivadas pelo desespero.

É melhor construir um plano possível.

Comece pelas despesas essenciais. Depois, conheça todas as dívidas. Analise os juros. Verifique o que pode ser negociado. Corte gastos que realmente possam ser reduzidos e acompanhe o orçamento todos os meses.

Pode parecer pouco no começo.

Mas cada decisão organizada representa um passo.

Para montar esse planejamento com mais clareza, leia também Como montar um orçamento pessoal do zero

Ainda endividada, mas seguindo um caminho

Eu poderia escrever este artigo dizendo que quitei todas as minhas dívidas e que tudo terminou perfeitamente.

Mas essa não seria a minha realidade.

Ainda estou enfrentando o superendividamento.

A diferença é que hoje consigo enxergar o problema de outra maneira. Entendi que preciso combinar fé com atitudes concretas e que a recuperação financeira não acontece de um dia para o outro.

Continuo caminhando.

E foi justamente essa experiência que me levou a escrever sobre finanças.

Não escrevo apenas para falar sobre números. Escrevo porque sei como é estar do outro lado, tentando encontrar uma saída.

Dívidas têm solução, mas é preciso começar

Se você chegou até aqui porque está endividado e não sabe o que fazer, comece pelo que está ao seu alcance hoje.

Conheça suas dívidas. Proteja as necessidades básicas da sua família. Não aceite acordos impossíveis apenas para interromper uma cobrança. Procure informação, conheça seus direitos e peça ajuda quando precisar.

E, se a fé fizer parte da sua vida, use-a como fonte de força e esperança durante esse processo.

Não existe uma solução única que funcione para todas as pessoas. Cada família possui renda, despesas, dívidas e necessidades diferentes.

O importante é não permitir que o desespero tome todas as decisões por você.

A dívida é um problema financeiro. Ela não define quem você é.

Aqui no A Vida Não Cabe na Fatura, continuarei compartilhando informações para ajudar quem precisa reorganizar a vida financeira e encontrar caminhos possíveis para sair das dívidas.

Leia também: Direitos do consumidor: conheça e proteja suas garantias

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