Como investir em ações: guia para iniciantes
Investir em ações pode parecer algo distante para quem está começando a organizar a vida financeira. Termos como bolsa de valores, dividendos, carteira de investimentos e volatilidade podem dar a impressão de que esse mercado é reservado apenas para especialistas.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Na prática, qualquer pessoa pode estudar o funcionamento do mercado de ações e avaliar se esse tipo de investimento é adequado aos seus objetivos, à sua situação financeira e à sua tolerância ao risco.
Isso não significa que investir em ações seja uma maneira garantida de enriquecer. Ações são investimentos de renda variável, seus preços oscilam e existe possibilidade de perda do dinheiro investido.
Por isso, antes de pensar em comprar a primeira ação, é importante organizar as finanças, conhecer os riscos e compreender como esse mercado funciona.
O que são ações?
Uma ação representa uma pequena parcela do capital de uma empresa. Ao comprar ações, o investidor passa a deter uma participação naquela companhia, de acordo com as características do ativo adquirido.
Dependendo da empresa, do tipo de ação e de seus resultados, o acionista pode ter direito ao recebimento de proventos, como dividendos.
Entretanto, comprar ações não significa que haverá lucro.
O preço de uma ação pode subir ou cair em razão de inúmeros fatores, como resultados da empresa, expectativas do mercado, condições econômicas, taxas de juros e acontecimentos nacionais e internacionais.
Por isso, o investimento em ações exige conhecimento e disposição para conviver com oscilações.
Por que algumas pessoas investem em ações?
Um dos motivos é a possibilidade de participar do crescimento das empresas e buscar valorização do patrimônio ao longo do tempo.
Algumas empresas também distribuem parte de seus resultados aos acionistas.
Entretanto, rentabilidade passada não garante resultados futuros. Uma empresa que apresentou bom desempenho durante determinado período pode enfrentar dificuldades posteriormente.
Por isso, ações não devem ser tratadas como promessa de enriquecimento ou renda garantida.
Para quem está começando, estudar antes de investir é essencial.
Investir em ações é como apostar?
Não.
Uma ação representa participação em uma empresa real. Entretanto, isso também não significa que comprar qualquer ação seja automaticamente um bom investimento.
O investidor precisa conhecer aquilo em que está colocando dinheiro e compreender os riscos envolvidos.
Comprar ativos apenas porque alguém disse que determinada ação “vai subir”, por exemplo, pode levar a decisões inadequadas.
Informação, planejamento e compreensão do risco são fundamentais.
Para aprofundar seus conhecimentos, consulte também os conteúdos de educação financeira do Banco Central do Brasil.
Antes de investir, organize sua vida financeira
Este ponto é especialmente importante para os leitores do A Vida Não Cabe na Fatura.
Quem está enfrentando dificuldades para pagar contas, utilizando crédito rotativo ou acumulando dívidas caras precisa avaliar cuidadosamente sua situação antes de direcionar dinheiro para investimentos de renda variável.
Investir não deve significar deixar de pagar alimentação, moradia, medicamentos, energia ou outras despesas essenciais.
Primeiro, organize o orçamento.
Você pode começar pelo nosso guia Como montar um orçamento pessoal do zero.
Dívidas caras merecem atenção antes dos investimentos
Imagine uma pessoa pagando juros elevados no cartão de crédito enquanto direciona parte da renda para ações.
Mesmo que seus investimentos apresentem valorização, os juros da dívida podem continuar comprometendo o orçamento.
Por isso, é importante comparar prioridades.
Quem está nessa situação pode começar entendendo qual dívida pagar primeiro e elaborar um plano compatível com a própria renda.
Isso não significa que todas as pessoas precisem necessariamente quitar qualquer tipo de financiamento antes de investir. As situações financeiras são diferentes.
A atenção maior deve estar principalmente nas dívidas de custo elevado e na capacidade real de pagamento.
Construa uma reserva de emergência
Antes de investir em ativos sujeitos a fortes oscilações, é importante pensar também nos imprevistos.
Uma reserva de emergência serve para situações como perda de renda, despesas médicas inesperadas, reparos urgentes ou outras necessidades que não estavam previstas no orçamento.
O dinheiro destinado a emergências deve priorizar características como segurança e liquidez compatíveis com sua finalidade.
Isso evita que você tenha de vender ações justamente em um momento de queda porque precisa urgentemente do dinheiro.
Veja nosso conteúdo Como fazer uma reserva de emergência.
Defina seus objetivos antes de investir
Por que você quer investir?
Essa pergunta deve vir antes da escolha de qualquer ação.
O objetivo pode ser formar patrimônio para aposentadoria, alcançar determinada meta de longo prazo ou simplesmente diversificar os investimentos.
Objetivos diferentes exigem estratégias diferentes.
Também é importante considerar quando você pretende utilizar aquele dinheiro.
Recursos necessários no curto prazo geralmente exigem uma abordagem diferente daqueles destinados a objetivos de muitos anos.
Conheça seu perfil e sua tolerância ao risco
Algumas pessoas conseguem acompanhar uma queda temporária de 10% ou 20% sem tomar decisões impulsivas.
Outras ficam extremamente desconfortáveis diante de pequenas oscilações.
Isso precisa ser considerado.
Não adianta escolher um investimento apenas pela possibilidade de retorno se você não consegue lidar com seu nível de risco.
Além disso, as instituições financeiras utilizam procedimentos para identificar o perfil do investidor e verificar a adequação dos produtos oferecidos.
Como começar a investir em ações
Depois de organizar sua situação financeira e estudar os riscos, o processo de investimento começa pela utilização de uma instituição autorizada a oferecer acesso ao mercado.
Não escolha uma instituição apenas pela propaganda.
Pesquise custos, serviços, segurança, atendimento e condições oferecidas.
Também é importante verificar se a instituição está devidamente autorizada a funcionar.
Entenda a B3
No Brasil, as ações são negociadas na B3.
Por meio das instituições que oferecem acesso ao mercado, o investidor pode enviar ordens de compra e venda.
Antes de realizar a primeira operação, procure entender conceitos básicos como:
- preço da ação;
- quantidade negociada;
- ordem de compra;
- ordem de venda;
- liquidez;
- volatilidade;
- dividendos;
- custos;
- tributação.
Você não precisa dominar todo o mercado financeiro para começar a estudar, mas precisa entender aquilo que pretende comprar.
Estude as empresas
Comprar uma ação significa colocar dinheiro em uma empresa.
Por isso, não escolha somente pelo preço do ativo.
Procure entender o negócio da companhia, seu setor de atuação, situação financeira, endividamento, geração de resultados, riscos e perspectivas.
Empresas listadas divulgam informações ao mercado que podem ser consultadas pelos investidores.
Quanto mais fundamentada estiver sua decisão, menor será a dependência de rumores ou recomendações encontradas nas redes sociais.
Cuidado com as “dicas quentes”
Promessas de lucro rápido merecem atenção.
Frases como “essa ação vai disparar”, “oportunidade imperdível” ou “lucro praticamente garantido” não devem substituir uma análise adequada.
O mercado financeiro envolve incerteza.
Mesmo especialistas podem errar suas projeções.
Por isso, uma recomendação encontrada na internet não deve ser suficiente para decidir onde colocar seu dinheiro.
Diversificação ajuda a administrar riscos
Concentrar todo o dinheiro em uma única empresa aumenta a exposição ao que acontecer especificamente com aquela companhia.
Por isso, diversificação é um conceito importante no planejamento dos investimentos.
Ela pode envolver empresas, setores e até diferentes classes de ativos, dependendo dos objetivos e do perfil do investidor.
Entretanto, diversificar não elimina todos os riscos e também não garante lucro.
É uma estratégia de gerenciamento de exposição.
ETFs também podem fazer parte dos estudos do iniciante
Quem está aprendendo sobre renda variável provavelmente encontrará a expressão ETF.
Os ETFs são fundos negociados em bolsa que seguem determinadas estratégias ou índices e podem reunir diferentes ativos em uma única estrutura.
Isso pode facilitar a diversificação, mas não elimina os riscos.
Antes de investir, é necessário entender qual índice ou estratégia o ETF acompanha, seus custos, características e riscos.
Não coloque sua reserva de emergência em ações
Esse ponto merece ser reforçado.
Imagine que você tenha R$ 5 mil reservados para emergências e coloque todo o valor em ações.
Se surgir uma necessidade justamente quando o mercado estiver em queda, talvez seja necessário vender os ativos com prejuízo.
A reserva possui uma função diferente dos investimentos destinados a objetivos de longo prazo.
Separar essas finalidades ajuda a organizar melhor o patrimônio.
Comece devagar
Não existe necessidade de investir uma grande quantia apenas porque você decidiu entrar no mercado de ações.
Para quem está começando, estudar e compreender o funcionamento das operações pode ser mais importante do que o valor inicialmente aplicado.
Começar gradualmente também permite conhecer melhor sua própria reação às oscilações.
Na teoria, muitas pessoas dizem aceitar riscos.
Na prática, ver o patrimônio cair temporariamente pode provocar decisões emocionais.
Acompanhe, mas não viva olhando as cotações
Acompanhar seus investimentos é importante.
Entretanto, verificar o preço das ações a cada poucos minutos pode transformar um planejamento de longo prazo em uma fonte constante de ansiedade.
Se sua estratégia foi construída para vários anos, movimentos de poucas horas não deveriam, isoladamente, determinar suas decisões.
Isso não significa abandonar os investimentos.
É necessário acompanhar as empresas e verificar se os motivos que levaram à compra continuam fazendo sentido.
Quais são os principais riscos?
O primeiro é bastante simples: o preço da ação pode cair.
Além disso, uma empresa pode apresentar resultados ruins, perder competitividade, enfrentar problemas financeiros ou até situações mais graves.
Também existem riscos relacionados ao setor econômico, à economia brasileira e internacional e às condições gerais do mercado.
Por isso, dinheiro necessário para despesas essenciais ou compromissos próximos não deve ser exposto irresponsavelmente à renda variável.
Cuidado com decisões emocionais
O mercado pode subir rapidamente e despertar a sensação de que você está “perdendo uma oportunidade”.
Também pode cair e provocar medo.
Nos dois casos, decisões emocionais podem prejudicar o planejamento.
Antes de comprar ou vender, pergunte:
O que mudou nos fundamentos ou no meu objetivo para justificar essa decisão?
Se a única resposta for “todo mundo está comprando” ou “estou com medo porque caiu”, talvez seja melhor analisar a situação com mais cuidado.
Investir não substitui organização financeira
Este talvez seja o ponto mais importante deste guia.
Não adianta procurar o melhor investimento enquanto o orçamento doméstico está completamente desorganizado.
Antes de pensar em rentabilidade, é necessário saber quanto entra, quanto sai, quais dívidas existem e quanto realmente pode ser destinado aos investimentos.
Se você ainda está nessa fase, comece por Como fazer uma revisão financeira mensal.
Depois, quando houver espaço no orçamento, você poderá avaliar investimentos compatíveis com seus objetivos.
Investir em ações exige conhecimento e responsabilidade
Investir em ações pode fazer parte de uma estratégia financeira de longo prazo, mas não existe garantia de retorno.
Para quem está começando, o caminho mais prudente é aprender antes de colocar valores relevantes em risco.
Organize as finanças, controle as dívidas caras, forme uma reserva para imprevistos, estabeleça objetivos e estude os investimentos disponíveis.
Depois disso, avalie se a renda variável é compatível com sua situação e seu perfil.
O objetivo não deve ser encontrar uma fórmula para enriquecer rapidamente.
Deve ser tomar decisões financeiras cada vez mais conscientes.
No A Vida Não Cabe na Fatura, nossa prioridade é justamente essa: mostrar que organizar a vida financeira vem antes de buscar resultados extraordinários.
Primeiro construa uma base. Depois pense em fazer o patrimônio crescer.